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Assistência médica nos Estados Unidos

Informações:

Para que os usuários participem ativamente em seus próprios cuidados de saúde, é fundamental que tenham uma compreensão básica sobre o atual sistema de assistência médica, bem como sobre as reformas propostas. Os usuários precisam considerar quais os serviços específicos aos quais desejam/precisam ter acessso ilimitado ou limitado, o que eles esperam dos profissionais de cuidados de saúde, o preço que podem pagar pelos planos de saúde disponíveis e só então tomarem suas decisões.

PONTOS FORTES DO SISTEMA
A cada minuto, praticamente todos os americanos se beneficiam, de alguma forma, das pesquisas sofisticadas, da tecnologia superior, das instalações especializadas e da experiência profissional de prestadores de serviços muito bem preparados do Sistema de Assistência Médica dos Estados Unidos Unidos (United States Health Care System). Os bebês prematuros, que há dez anos praticamente não sobreviviam, podem agora se desenvolver como crianças normais em função dos cuidados especializados agora disponíveis nas unidades de terapia intensiva em todo o país. Muitos adultos também desfrutam de uma vida mais longa, mais feliz e mais produtiva por causa dos procedimentos cirúrgicos especializados (como o desvio cardíaco, as técnicas de laparoscopia, os transplantes de órgãos, a cirurgia a laser, e outros), dos equipamentos da bioengenharia (como os corações artificiais, os marca-passos, as bombas de insulina e outros), dos procedimentos diagnósticos avançados (como o ultra-som, a varredura por tomografia computadorizada
, por ressonância magnética, e outras), dos medicamentos aperfeiçoados (como as diversas vacinas, a quimioterapia, os medicamentos prescritos e não prescritos) e do conhecimento, experiência e habilidades profissionais de uma ampla faixa de prestadores de cuidados de saúde.

PONTOS FRACOS DO SISTEMA
Os "custos" totais da excelência do sistema de saúde nos Estados Unidos têm sido altos, tanto em dólares como na distribuição desigual dos benefícios. Em 1991 cerca de $756 bilhões de dólares foram gastos nos cuidados de saúde, e a maior parte do que se gasta hoje vai para as intervenções de alta tecnologia destinadas aos cuidados do paciente em seus últimos meses de vida. A prevenção primária e as atividades de promoção da saúde continuam a dispor de poucos recursos e, portanto, limitadas ou mesmo inexistentes em várias áreas. A falta de tais serviços, por sua vez, tende a realçar a necessidade da intervenção de mais fundos monetários.

A taxa de mortalidade infantil nos Estados Unidos ainda é mais alta que a de outras nações líderes do mundo. Os cidadãos americanos pagam mais por sua assistência médica que aqueles de quaisquer outras nações industrializadas. Comparando-se esse custo ao de países que dispõem de acesso universal à assistência médica para todos os seus cidadãos (como Japão, Canadá e Alemanha), os Estados Unidos (onde apenas 85% da população tem cobertura de assistência médica) têm despesas de cuidados médicos mais altas, apesar do índice de 2 a 7 visitas a menos aos consultórios médicos por pessoa/ano. Além disso, a expectativa média de vida nos Estados Unidos é de 2 a 5 anos a menos, em relação àquela nos países mencionados acima.

Mais de 37 milhões de americanos não possuem cobertura de seguro-saúde, além de não serem elegíveis à assistência médica atual do governo ou a programas de habilitação. A maioria dessas pessoas e suas famílias está entre os trabalhadores de baixa renda, que trabalham para empresas que não oferecem nenhum tipo de benefício em termos de assistência médica.

REFORMA DA ASSISTÊNCIA MÉDICA
A reforma do programa de assistência médica nos Estados Unidos tem como desafio principal a transformação de um sistema complexo e dispendioso (e acessível apenas àqueles cidadãos com poder aquisitivo adequado e força de negociação) em um complexo que seja universalmente disponível e assegure serviços de assistência médica de qualidade e a custos razoáveis para toda a população. É extremamente importante que os usuários transmitam suas idéias e preocupações sobre assistência médica àqueles eleitos ou encarregados de elaborar as políticas respectivas. O debate de 1993 sobre essa reforma pareceu estar mais a favor de um mercado competitivo de assistência médica administrada ("competição administrada") que para a opção de um único pagador dos serviços ou de um plano nacional de seguro-saúde.

Nos Estados Unidos, o programa "Managed Care" é uma rede de assistência médica na qual os custos são controlados por meio da administração do uso dos serviços. Isto significa que um profissional de cuidados primários de saúde atua como o "coordenador" para o acesso a cuidados especializados. Nos sistemas de assistência médica administrada os pacientes não podem buscar, diretamente, por cuidados especializados (mais caros) para aquelas condições que possam ser tratadas com eficácia, e com menor custo, pelo médico de referência, ou o "coordenador". Um exemplo seria um indivíduo procurar um especialista em otorrinolaringologia (ouvidos, nariz e garganta) por causa de uma infecção de ouvido comum. No modelo de encaminhamento tradicional , no qual os usuários tinham a possibilidade de escolher os profissionais e os serviços cobertos, este tipo de seleção inadequada era comum e aumentava em muito os custos da assistência médica.

Os profissionais credenciados nas redes de assistência médica administrada são avaliados freqüentemente pelas organizações, que cuidam do uso apropriado de recursos e dos vários indicadores de qualidade, incluindo as medidas de resultado. Os médicos e outros prestadores de serviços de saúde desses sistemas administrados são, em geral, funcionários assalariados ou reembolsados por meio de um método de capitalização (taxa fixa paga por paciente/ano); assim, as receitas individuais desses profissionais não ficam diretamente influenciadas pelo número de pacientes atendidos, exames solicitados ou procedimentos executados. Esses métodos de reembolso podem fornecer um incentivo para que o médico desenvolva um padrão de atendimento superior, com decisões aprimoradas, e possa desenvolver atividades de promoção de saúde.

Nesses sistemas administrados os usuários geralmente têm a opção de ou escolher um médico credenciado na rede ou pagar despesas adicionais "do próprio bolso" para consultar um profissional de sua escolha fora dessa rede. As HMOs (Health Maintenance Organizations) ou organizações de manutenção de saúde, e as PPOs (Preferred Provider Organizations) ou organizações de médicos de escolha livre, são ambas exemplos desse tipo de sistema de assistência médica administrada.

O programa "Managed Competition" (como inicialmente descrito pelo Jackson Hole Group em setembro de 1991) envolve o governo federal, os médicos e outros profissionais de saúde, os hospitais, as seguradoras, os funcionários e os usuários individuais com funções específicas no movimento voltado para os objetivos da reforma da assistência médica visando maior acesso e custos menores.

O papel do governo federal inclui a eliminação de práticas de discriminação (como as injustiças do código tributário) e a competição injusta de políticas federais alternativas que distorcem o mercado atual. Uma "Comissão Nacional de Saúde" (National Health Board) poderia identificar um pacote mínimo e uniforme de benefícios, autorizar planos que oferecessem cobertura dedutível do imposto de renda por meio de "planos de saúde contabilizáveis" ( Accountable Health Plans, ou AHPs), desenvolver padrões e diretrizes para "cooperativas de aquisição de planos de saúde ( Health Plan Purchasing Cooperatives, ou HPPCs), mais recentemente denominadas "Alianças de Saúde" (Health Alliances) e estabelecer um banco de dados nacional de resultados de saúde, essencial para uma competição comercial efetiva entre os AHPs.

Numa estrutura de competição administrada os profissionais de cuidados de saúde seriam incentivados, por meio das alterações nos códigos tributários, a formar sociedades de colaboração com as empresas de seguro. Por meio desses acordos, o prestador de serviços de saúde seria reembolsado com uma taxa fixa, paga por paciente/ano. Seria, assim, do interesse desse prestador de serviços manter os clientes em um excelente nível de bem-estar, por meio de atividades de promoção de saúde. Este tipo de acordo de reembolso com os prestadores de serviços serve para manter esses profissionais realmente responsáveis pelos resultados de seu trabalho, e não apenas pela prestação dos serviços.

Os AHPs, autorizados pelo governo federal, ofereceriam serviços de assistência médica, inclusive aqueles dos pacotes mínimos e uniformes de benefícios, oferecendo cobertura dedutível do imposto de renda a indivíduos ou a empregadores. Esses sistemas seriam obrigados a informar os dados dos resultados de saúde especificamente aos prestadores de serviços credenciados. O governo federal também exigiria que essas entidades aceitassem os usuários mediante taxas de contribuição estabelecidas em bases comunitárias, eliminando a habilidade desses sistemas para negar cobertura por causa de condições preexistentes e níveis de renda.

As "Alianças de Saúde" atuam como o agente de compra para indivíduos não vinculados a empregadores, para o trabalhador autônomo ou para negócios com um total de funcionários abaixo de um número definido (por exemplo, 5.000).

Enfim, o usuário afeta o mercado competitivo por ter a opção de mudar de plano de saúde ao final de cada ano. Assim, métodos seriam estabelecidos para que os consumidores manifestassem sua insatisfação, e tivessem suas preocupações revistas, dentro dos planos de saúde contabilizáveis individuais. Seria exigida a elaboração de um banco nacional de dados de saúde, que envolveria um número limitado de variáveis (definidas em colaboração com a Comissão Nacional de Saúde) incluídas em relatórios de resultados, específicos para os prestadores credenciados em um determinado AHP. Esse banco de dados, sua análise e publicação dariam aos usuários certos parâmetros para julgar a qualidade da assistência médica prestada em relação ao custo desse serviço.

Finalmente, dentro do atual sistema de assistência médica, existem vários modelos, conhecidos apenas por um acrônimo. Esta "sopa alfabética" só aumenta a confusão e as frustrações que os usuários encontram quando tentam "abrir espaço" através desse sistema. Segue abaixo uma relação resumida dos termos mais comuns ou acrônimos e seu significado correspondente:

HMO (Health Maintenance Organization) ou Organização para a Manutenção da Saúde - trata-se de um sistema de assistência médica que contrata cuidados abrangentes de saúde para seus associados junto a prestadores de serviços médicos. Os usuários só podem obter assistência médica dos profissionais credenciados. Existem modelos diferentes de HMOs que incluem o modelo de assistência em grupo, o modelo IPA (Independent Practice Association), o modelo em rede e o modelo empresarial.

  • modelo em grupo: um tipo de HMO que contrata serviços com grupos de profissionais;
  • modelo IPA: um tipo de HMO que contrata os serviços de vários profissionais, tanto individuais como em grupo;
  • modelo em rede: um tipo de HMO que contrata os serviços junto a uma rede de profissionais que fornecem atendimento em múltiplas especialidades e em vários locais;
  • modelo empresarial: um tipo de HMO que contrata seus próprios prestadores de serviços, remunerando-os com um salário, ao invés de usar uma escala dinâmica influenciada pelo número de pacientes consultados ou procedimentos executados.
PPO (Preferred Providers Organization) ou organização de profissionais preferidos - trata-se de um plano de saúde que permite aos membros escolherem livremente os profissionais, mas o seguro oferece incentivos financeiros para que os membros selecionem os profissionais dentro de um sistema ou grupo específicos.

FFS (Fee for Service) ou pagamento por serviços - um sistema tradicional no qual o segurador paga pelos serviços após estes terem sido prestados, com base num programa de honorários médicos. Os usuários têm a liberdade de buscar o atendimento médico sem aprovação prévia de nenhum prestador, incluindo especialistas.

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